Muitos profissionais que estudam um segundo idioma acreditam que fluência é questão de falar rápido e usar palavras difíceis. No entanto, uma pesquisa recente mostra que o verdadeiro diferencial está no uso de expressões cotidianas e naturais, não em vocabulário rebuscado.
Em uma pesquisa realizada na Waseda Univervity no Japão, os pesquisadores Kotaro Takizawa e Shungo Suzuki analisaram discursos em inglês de 102 falantes japoneses e pediram a avaliadores experientes que julgassem o grau de fluência. O principal fator foi, como esperado, a fluidez da fala — ou seja, a capacidade de se expressar de forma contínua e sem muitas interrupções. Mas um detalhe chamou atenção: os participantes que utilizaram frases comuns e frequentes, como “on the other hand” ou “I agree with the idea”, foram avaliados como mais fluentes, mesmo sem apresentar uma velocidade de fala elevada ou vocabulário avançado.
Por outro lado, o uso de palavras raras ou construções excessivamente formais teve pouco ou nenhum impacto positivo na percepção de fluência.
Esses resultados desafiam um hábito comum entre estudantes e até professores: o foco exagerado em vocabulário “sofisticado”. Como explica Suzuki, se o objetivo é fluência, o mais eficaz é dominar as expressões que os falantes nativos realmente usam no dia a dia — aquelas que surgem naturalmente em conversas informais, reuniões, entrevistas e outros contextos reais.
Isso tem implicações diretas no preparo para exames internacionais como TOEFL ou IELTS, nos quais a fluência é um critério de avaliação essencial. Mais do que velocidade, os avaliadores buscam naturalidade — algo que depende fortemente do uso espontâneo de estruturas linguísticas familiares e autênticas.
A boa notícia é que essas expressões são acessíveis: estão nos diálogos de séries, podcasts, artigos, e até nos livros didáticos. Trocar frases forçadas por construções mais naturais – como dizer “I’d rather not” em vez de formas indiretas como “I do not prefer”, ou usar “It depends” no lugar de explicações longas – pode fazer uma diferença significativa na forma como sua fluência é percebida.
Ser fluente não é uma questão de impressionar, mas de se conectar. Use o idioma como ele é realmente falado, e você se comunicará com mais clareza, naturalidade e confiança.
Fonte: Waseda University. “Common phrases, not fancy words, make you sound more fluent in a foreign language.” ScienceDaily. ScienceDaily, 3 April 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/04/250403122822.htm>.