Irmãos gêmeos e a aprendizagem do segundo idioma: com eles é diferente?

O tema “irmãos gêmeos” tem sido frequente nas áreas da psicologia e da educação. E no bilinguismo não seria diferente. Uma das dúvidas é se a aprendizagem dessas crianças ocorre do mesmo modo que as de gestação única. A resposta é sim, segundo Norma Wolffowitz-Sanchez, que possui Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela PUC-SP e trabalha com consultoria e formação educacional bilíngue.
No entanto, ela, que se interessa ainda mais pelo assunto por ser trigêmea, ressalta que vários aspectos devem ser considerados por pais e educadores quando o assunto é a formação e a educação de irmãos gêmeos, independentemente de eles serem de famílias bilíngues ou de estudarem em escolas bilíngues. São questões que passam, por exemplo, pela formação da individualidade e da convivência com outras crianças e adultos.
“Irmãos gêmeos convivem muito tempo juntos e, com isso, o desejo de se comunicarem é imperativo. Desde bebês, costumam emitir e trocar sons e gestos entre si e a linguagem que dividem promove proximidade e intimidade mútua. Não é de se surpreender que, quando começa a vida escolar, os pais acabem em dúvida sobre colocar ou não seus filhos gêmeos na mesma escola ou sala de aula”, diz.
Na sala de aula
Norma explica que, embora haja vários estudos com foco em irmãos gêmeos, não se pode afirmar que cognitivamente há vantagens ou desvantagens de irmãos frequentarem a mesma sala de aula: “Alguns estudos chegam até a recomendar que os gêmeos sejam mantidos juntos nos primeiros anos escolares porque os benefícios superam os possíveis problemas, tais como comparações, competições e distrações. O que existe é uma tendência de deixá-los em classes separadas para que possam desenvolver relações sócio-afetivas independentes, vivenciar experiências próprias e perceber-se como indivíduo único, responsável por suas próprias coisas e seu próprio mundo”.
A recomendação é sempre observar. Se um dos irmãos apresentar maior ou menor facilidade para aprender a segunda língua e ficar claro que a razão do sofrimento de um deles é o fato de estarem na mesma sala de aula, os pais podem conversar com a escola sobre a possibilidade de separá-los. Se for o contrário – já estudam em classes diferentes – pode-se conversar sobre a possibilidade de juntá-los. “Mas é preciso lembrar: se um irmão tiver problemas de aprendizagem e o outro não, as salas separadas podem evitar disputas e comparações que geram tensões e maior sofrimento”, alerta Norma.
O mais importante, de acordo com a consultora, é respeitar as características únicas de cada um. Se irmãos gêmeos apresentarem ritmos de aprendizado distintos – o que acontece com a maioria das pessoas, já que cada um tem sua forma e tempo de aprender –, ou ainda se surgir dificuldades com um dos irmãos, eles devem ser tratados em suas individualidades, com ênfase nas diferentes habilidades e competências de cada um, da mesma forma que ocorreria com irmãos não gêmeos.
“No final, o que vale é a opção de cada família, mas não custa destacar que os pais podem e devem a cada ano reavaliar suas decisões, levando em conta também mudanças, interesses e desejos das crianças”, conclui.

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