Pesquisa mostra que a diferença é real, mas o motivo não é esse.
Aos 18 meses, meninas realmente têm vocabulário maior do que meninos, isso está bem medido. A pergunta era por quê, e a suposição mais comum (que meninas simplesmente falam mais, ou recebem mais estímulo verbal dos cuidadores) se mostrou errada.
Uma equipe da Duke University acompanhou 44 bebês dos 6 aos 18 meses, gravando milhares de horas de conversas do dia a dia para testar essa ideia.
Meninas de fato acabaram com vocabulário maior aos 18 meses. Mas a explicação não teve nada a ver com quanto cada gênero falava. Meninos e meninas falavam a mesma quantidade. E meninas também não começaram a falar muito antes, cerca de um mês de diferença.
O que realmente previa um vocabulário maior era outra coisa: assim que o bebê dizia suas primeiras palavras, os adultos ao redor passavam a falar mais com aquele bebê. Não mais com meninas especificamente, mas com qualquer criança, menino ou menina, que já tivesse começado a “responder”.
Ou seja, crianças não apenas absorvem linguagem. Elas atraem linguagem para si. No momento em que a criança começa a participar da conversa, os adultos ao redor respondem oferecendo mais dela, e essa resposta molda tudo o que vem depois.
É uma pequena mudança de perspectiva sobre o desenvolvimento da linguagem infantil. Menos “quanto estímulo essa criança recebeu” e mais “como essa criança criou o estímulo de que precisava”.
Fonte: Duke University, Child Development (2022)
