Se pesquisam indicam que apenas 3% dos brasileiros são fluentes em inglês, o que está acontecendo com os demais 97%?

E como explicar que que esse dado permanece inalterado há anos? O que está acontecendo com as pessoas que estão estudando o idioma?

Entre 2002 a 2020 a BIRD avaliou o retorno do investimento de 7958 profissionais inscritos em cursos de idiomas patrocinados por empresa, gerando indicadores para a Pesquisa de Produtividade & Índice de Proficiência em Inglês, publicada anualmente, desde 2002.

Nossas pesquisas mostram que apenas 3,7% do total de alunos avaliados possuem proficiência no idioma, dados corroborados pela pesquisa da Catho sobre este mesmo assunto publicada em 2019, sendo que a maioria está no nível intermediário,.

Mas porque tão poucos brasileiros dominam o idioma? São vários os fatores e, muito possivelmente, uma combinação entre deles:

O formato de muitos dos cursos de idiomas foca mais nas habilidades receptivas (gramática/vocabulário e compreensão) do que nas habilidades produtivas (redação e comunicação). O gap entre as habilidades receptivas e produtivas é resultado direto do tempo de prática efetiva de cada aluno em sala de aula (STT – Student Talking Time); portanto, a carga horária do curso tem de ser proporcional ao número de alunos no grupo.

Aprender um idioma não é algo que acontece do dia para a noite.  Partindo do nível básico, são necessárias aproximadamente 600 horas/aula para se atingir fluência.  O aluno precisa aliar o aprendizado com suas atividades profissionais e pessoais, e isso requer tempo e dedicação. Conscientizar os alunos sobre o processo para engajá-los, aliar ferramentas para ensiná-los a aprender e desenvolver alunos cada vez mais autônomos no aprendizado é tão necessário quanto oferecer as aulas do programa.

Além disso, o aprendizado não é linear. No nível intermediário, por exemplo, é quando fica mais difícil consolidar o aprendizado, o que gera uma sensação de “estagnação” no aluno.

Não à toa que é neste que se concentra o maior índice de desistência. E quando o aluno retoma seus estudos meses ou anos depois, já perdeu bastante da proficiência adquirida e precisa recomeçar. Por isso identificamos alunos que já passaram por vários cursos, escolas e aulas, os chamados “bungee students”.

E de quem é a responsabilidade de mudar esse cenário?

A crise econômica e alta no desemprego nos fizeram refletir sobre esta e outras questões relacionadas ao patrocínio de idiomas: a real necessidade do idioma para todas as funções exercidas dentro de uma empresa, a fluência exigida nos processos de seleção das empresas versus a real necessidade do cargo e o custo dos programas de treinamento de qualidade.

A resposta que temos é que é possível aprender um segundo idioma e atingir a fluência necessária. O subsídio das empresas continua sendo de extrema relevância, para garantir acesso a um programa de qualidade, se destinado a um planejamento bem definido, com propósitos claros,  metas de aprendizagem pré-estabelecidas, efetiva avaliação do retorno do investimento e, sobretudo, o comprometimento de todas as partes!

A responsabilidade de mudar esse cenário é de todos: a fluência em inglês (ou espanhol) é uma questão de competitividade e de acesso ao mercado global, consolidando os treinamentos como um investimento e não um benefício!

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