Consultoria linguística: delegar atividades, não a responsabilidade

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18 DE NOVEMBRO DE 2002

Paulo P. Sanchez*

Até meados de 1990, o Brasil era um país onde as empresas e as pessoas podiam enclausurar-se em seus territórios e viver da ilusão de que, quanto mais independentes da tecnologia, das negociações e do intercâmbio cultural, melhor. De lá para cá, todos sabemos o que aconteceu: a globalização dos mercados. Logo no início do processo de abertura do mercado brasileiro ao mundo, e das oportunidades que isso representava, as empresas, especialmente as multinacionais, foram as primeiras a dar atenção à capacitação de seus colaboradores em idiomas.

Coube, obviamente, ao RH o papel de tornar este sonho realidade e em pouco tempo ele centralizava todas as atividades relacionadas ao treinamento em idiomas, desde a política interna até o controle do progresso de seus colaboradores. Como não dominava o novo expertise, o RH passou a contratar funcionários para realizar essa tarefa que, além de tomar muito tempo, impedia-o de cumprir sua missão na empresa: agregar valor.

Apesar dos esforços, os resultados ou ficaram aquém das expectativas ou simplesmente não foram comensuráveis o suficiente para justificar seu custo elevado. A reengenharia e, posteriormente, o downsizing acabaram contribuindo para a redução no efetivo do RH e, conseqüentemente, a descentralização do treinamento.

E foi nesse momento que surgiu o dilema: como gerenciar o investimento sistemático em treinamento com um staff reduzido, sem expertise em idiomas, e ainda por cima apresentar os resultados desejados pela empresa? Solução: a terceirização!

Em questão de meses, o gerenciamento do treinamento passou para as mãos de uma consultoria, ou seja, totalmente descentralizado. A tentação de jogar o “pepino” para as mãos de terceiros era simplesmente muito grande para ser recusada! E, de fato, no início tudo parecia andar às mil maravilhas, o casamento perfeito.

As conseqüências da terceirização
Mas, como um diretor de uma empresa relatou, um belo dia o castelo ruiu. “Fui convocado para uma reunião de emergência,” disse ele, “para discutir o problema de um gerente comercial da nossa empresa detido pela polícia de Nova York. O tal gerente havia sido convocado para fazer uma apresentação na matriz nos Estados Unidos e não nos preocupamos com o inglês dele pois ele havia feito um ano de curso intensivo.”

“Acontece que, com vergonha de admitir que ainda não falava inglês o suficiente para fazer a apresentação (ele havia faltado à maioria das aulas), e provavelmente com medo de perder o emprego, ele não nos informou do problema”, conta. “Passeando por Nova York, o gerente foi abordado na rua por um policial que solicitou seus documentos, os quais ele havia deixado no hotel por questão de segurança. Sem falar uma palavra de inglês, e sem conseguir explicar o que estava fazendo nos Estados Unidos, o policial, acreditando tratar-se de mais um ilegal no país, levou-o ao departamento de imigração. Uma vez lá, com a ajuda de um tradutor, conseguiu contatar a empresa no Brasil.”

Alguns dias depois começava na empresa a inevitável caça às bruxas: sem o controle sobre os cursos, o RH havia presumido o óbvio: que após um ano de curso intensivo, o gerente deveria ter mais que condições ideais para se comunicar em inglês. Mas não tinha! Descobriu também que é possível, sim, delegar as atividades do treinamento, mas que a responsabilidade pelo resultado ainda continuava sua.

A busca do equilíbrio
Em todos esses anos de consultoria lingüística, pudemos observar grandes mudanças, poucos resultados e muitos modismos. A tendência agora é encontrar o ponto de equilíbrio, o meio termo entre o processo centralizado e o descentralizado, e eis que surge uma velha conhecida nossa: a parceria. Afinal, a consultoria lingüística é uma ferramenta gerencial que deve dar suporte ao RH e não substituí-lo!

Desta forma, lamento informar, mas se o RH deseja obter resultados eficazes no treinamento e no gerenciamento de idiomas ele vai, sim, ter de voltar a pôr a mão na massa. Mas é possível fazer isso sem comprometer seu staff e com total eficácia. Portanto, se você está pensando em colocar a casa em ordem, e para isso contar com o suporte de uma consultoria lingüística, aqui vão algumas dicas:

• Todos os envolvidos devem ter acesso à informação antes monopolizada no RH ou na consultoria. A informação acelera o processo e leva a empresa a uma economia real de tempo que substitui os gastos com a demora;

• É preciso substituir a produção em massa pela produção sob encomenda e com maior valor agregado. Lembre-se: sua empresa é diferente de qualquer outra e a consultoria precisa saber diferenciar essas peculiaridades;

• Apesar de parecer óbvio, opte por qualidade. O que a consultoria vende é o aumento da sua produtividade e, se o que ela cobra for muito barato, duvide da eficácia do remédio. Esteja preparado para alocar algo entre 10% e 20% do seu budget em treinamento para a consultoria;

• Na parceria, todos agregam valor, e de forma mais significativa, o cliente (você) também. Se o cliente, maior interessado no sucesso da parceria, não planejar nem priorizar seu investimento a médio e longo prazo, de nada adiantará selecionar um bom parceiro;

• A origem das consultorias lingüísticas se deve, também, à incompetência das escolas de idiomas. Se elas tivessem apresentado resultados lá atrás não haveria necessidade de contratar uma consultoria hoje em dia. A proliferação de escolas de idiomas oportunistas e sem um padrão qualitativo nos anos 90 está acontecendo hoje em dia no setor das consultorias. Todo cuidado, portanto, é pouco;

• O sucesso da parceria depende de um esforço total e não de ações isoladas.

O fato é que, na parceria consultoria/empresa, ambos devem estar comprometidos e somente terão sucesso se investirem tempo e recursos no treinamento. Consultorias e empresas devem encarar esse esforço de preservação como um verdadeiro trabalho em parceria. Trata-se, em realidade, de falar o mesmo idioma.

SOBRE A BIRD GEI
BIRD GEI | Consultoria e Gestão de Idiomas é uma empresa especializada em soluções gerenciais e ferramentas estratégicas que asseguram às organizações e profissionais foco na execução de suas estratégias de treinamento, desenvolvimento e capacitação em idiomas.

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Benchmarking em aquisição de idiomas: dúvidas?
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